Hoje, depois daquela longa conversa que tivemos em dos nossos treinos, o primeiro, depois da volta dos Jogos da Juventude 2010, eu decidi escrever algumas coisas, coisas que eu penso, coisas que você me ensinaram, coisas que eu faço questão de guardar comigo pra sempre! É dia 3 de outubro de 2010, fazem exatamente 3 anos e 7 meses que eu decidi definitivamente que iria jogar voleibol. Foi difícil, éramos 45 meninas, mais apenas 12 iam continuar, apenas 12 formariam um time. Eu não tinha muita esperança, mais quando o Perez veio perguntar meu nome pra colocar naquela lista que tinha o nome de “fica” eu pulei de tanta felicidade! Então, começamos a longa jornada... Um mês depois a primeira competição, um desastre, não conseguimos ganhar. Para todas nós aquilo foi como se jogassem uma pedra em nossas cabeças, mais ninguém desistiu! A derrota nos fortaleceu, nos fez criar garra e lutar pelo que nós queríamos.
Mais, como todo time, aconteceram desavenças, algumas desistiram, mais quem amava mesmo o voleibol continuou lá, firme e forte! No ano seguinte, a primeira vitória, foi maravilhoso, espetacular. 2008, o primeiro ano que iríamos pra regional. Mais nada é tão fácil, e o segundo lugar não agrada ninguém, não é mesmo?! E o grito de “BICAMPEÃO” de Laranjeiras do Sul era como uma faca enfiada no meu peito, e sei que não fui só eu que me senti assim. Só que mais uma vez levantamos a cabeça e seguimos em frente!
Precisávamos de mais apoio, paramos de treinar, desânimo total repassado do técnico pras atletas, então, no início de 2009, o Perez chega e diz: “Meninas, esse é o novo treinador de vocês!”. Na verdade ele devia ter dito: “Eu trouxe a luz que vocês tanto precisavam”! Nivaldo Antunes, recém chegado em Quedas do Iguaçu, mal estruturado, ganhando apenas R$85,00 por mês. De início confesso que senti muita falta do antigo técnico, o Ni pegava pesado pra caramba, só que ninguém notava que ele fazia isso pra melhorar a gente. E conseguiu! Menos de 3 meses depois veio o resultado: É campeão! E com o grito veio o prazer de mostrar tudo aquilo que os dois me ensinaram, e que, junto com todas nós, os dois lutaram pra conseguir; o prazer de chorar de tanta felicidade, de sorrir e ficar feito bobas olhando para aquela medalha. E eu jamais vou esquecer do que eu disse pro Ni: “Te falei viu, eu disse que esse ano era nosso!”.
Pena que no mundo não se vive só de amor, e no momento que nós mais precisamos, ele teve que nos abandonar, e de novo aquela ladainha, nada de treinos, nada de motivação, até que ele disse: “De mãos abanando, eu volto pra vocês, eu volto pelo amor ao voleibol!” E tudo recomeçou...
Então, novas companheiras chegam. A primeira impressão é sempre muito ruim, claro. Ninguém conversava com elas, cada uma com seu grupinho, mais o amor do Ni era repassado nos corações de cada uma de nós, e hoje UNIÃO é nosso lema principal!
Somos como uma família, temos brigas, lógico. Afinal, que família não tem?! Mais nós nos amamos, fazemos tudo uma pela outra, choramos, rimos, brincamos. Somos confidentes umas das outras. Temos tudo! Inclusive um emocional mega abalado.
2010, finalmente! Jogos escolares, mais uma vitória, dessa vez com o grito de BICAMPEÃO, com o choro de tanta felicidade, com a vontade imensa de não parar de gritar e com a vontade de dizer “Ninguém nessa região é comparável a nós”. Mais, a macro-regional não foi o que imaginávamos, as pessoas crescem, adquirem responsabilidades e o voleibol deixa de ser primeiro plano. É preciso ter raça, esse é um dos itens principais, mais ela não ganha jogo sozinha. Pra mim, foi a derrota mais decepcionante, a mais chorada, a mais dolorida de toda minha história no voleibol até então.
Só que nossa vida não acaba nisso, campeonatos vem e vão a todo tempo, em setembro desse ano mais uma luta começou: Jogos da Juventude 2010, fase regional...
Primeiro jogo, o medo tomou conta de todas nós e fez com que nossa alegria acabasse logo no início do primeiro set, e como “a raça e a alegria fazem o time campeão”, a vitória não nos pertenceu.
Segundo jogo, expectativa muito grande, era ganhar ou ganhar, jogo contra Francisco Beltrão. Pra nós, era apenas um jogo que seria muito disputado porque os dois times precisavam da vitória. Mais pro Ni, era uma briga do passado, e me parte o coração toda vez que ele diz: “Aquela mulher disse que eu nunca seria alguém na vida”. Ta aí, agora você pode mostrar quem é que se tornou um grande alguém, porque naquele jogo quem saiu com a vitória fomos nós!
Brigas no alojamento, regras pisadas e discussões antes do jogo mais importante fizeram com que perdêssemos os dois jogos seguintes, aí infelizmente era só arrumar as malas e voltar pra casa.
Sabe, quando a gente viaja da um aperto no coração, mais quando a gente pisa no alojamento se esquece de tudo e focaliza o objetivo principal: vencer! Pelo menos é assim que tem que ser. E o 5º lugar desse ano só fez com que criássemos mais garra pra fechar com chave de ouro o nosso ultimo ano, 2011.
Ultimo Jojup’s, ultimo escolar, mais é o ano que queremos dizer “é tricampeão e ninguém tira isso de nós”. 2011 vai ser o ano que eu vou dar o meu melhor, por mim e principalmente pelo meu time.
Mais eu quero que saibam, tudo um dia acaba, mais todas as orações, os gritos de guerra, as musicas, os sorrisos, todas as vezes que choramos abraçadas umas nas outras vai ser muito bem guardado, jamais será esquecido. Tudo o que batalhamos, todas as barreiras que cruzamos, as dificuldades que passamos, tudo o que enfrentamos nesses anos juntas e junto com você Nivaldo e com você Perez, tudo isso ocupa um lugar eterno no meu coração. Eu só tenho a agradecer por esses anos de voleibol, aprendi muito, muito mesmo. O afeto que construímos é inexplicável, e pra mim se tornou essencial!
Então, bem-vindas as que chegam, vocês já são parte da nossa família, e eu digo pra vocês: nunca desistam, passem por cima do que for preciso, façam como nós fizemos, dêem a vida pelo voleibol.
E é debaixo de lágrimas, lágrimas de felicidade, que eu tenho orgulho de dizer quê sou quedense, que joguei com vocês por todo esse tempo, e que eu digo OBRIGADA POR TUDO, EU AMO MUITO VOCÊS!